terça-feira, 30 de julho de 2013

A importância dos comentários do Blog do Lúcio de Castro

Olá!
Particularmente sou grande admirador ao trabalho do jornalista Lúcio de Castro, que de forma sensível e significativa, tem exposto o lado negro e cruel da Copa do Mundo FIFA 2014, especificamente sobre o que ocorre no Rio de Janeiro.
Hoje pela madrugada ele colocou mais um de seus belos textos, e que reproduzo aqui para análise de todos.

Abraços!!

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http://www.espn.com.br/blogs/luciodecastro#1)

O choro de Cabral e o choro de Amarildo

"Não me dão pena os burgueses
vencidos. E quando penso que vão me dar pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.
Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.
Penso em meus longos dias com minha pele proibida.
Penso em meus longos dias".
("Burgueses", de Nicolás Guillén)

Nicolás Guillen (1902-1989)
Nicolás Guillén é um poeta maior. Poeta e revolucionário. Quando essas duas coisas se juntam numa só pessoa, virtudes das mais nobres entre as outras, temos aqueles raros: os imprescindíveis. Teoria e prática, intelectuais e homens de ação...Guillén, Ernesto Cardenal, Marti... Pensei muito em Guillén na tarde dessa segunda-feira. Perseguido tantas vezes na ditadura de Fulgêncio Baptista, voltou para Cuba depois da saída do tirano. E quando alguns de seus algozes foram presos, perguntaram a ele o que sentia. Respondeu com o poema "Burgueses", (com trecho acima reproduzido).

Lembrei-me de Guillén ao ver o governador do Rio acuado, em tom choroso, pedindo ternamente, feito um menino indefeso, que os manifestantes deixassem de fazer seu legítimo protesto próximo a casa dele. Não teve o pudor em poupar o nome e a idade dos filhos para alcançar seu intento. Já não tivera pudor para botar os filhos no helicóptero do amigo empreiteiro da Delta. Mas crianças são crianças e sempre nos tocam. Por algum momento, tal qual o poeta, pensei que iam me dar pena. Por algum momento, pensei em considerar seus argumentos.

Mas tal qual o poeta, apertei bem os dentes e fechei bem os olhos. Pensei nos filhos de Amarildo, o pedreiro da Rocinha que sumiu depois de ser visto pela última vez nas mãos dos servidores de Cabral, símbolos da política de segurança do governador. Tal qual o poeta, pensei nos longos dias da mulher e dos filhos de Amarildo. Sem camisa nem sonho, com a pele proibida...São tantos Amarildos nesse Brasil onde pobres não tem sapatos nem rosas nem tampouco direitos. Muitos no Rio de Cabral, que nunca pensou no filho de nenhum deles.

Tal qual o poeta, pensei nos longos dias das famílias da Maré, dos trabalhadores assassinados sem qualquer razão. Cabral ainda não falou sobre eles...Poderia lembrar de tantos outros como os da Maré...Pensei nos longos dias das pessoas vítimas de crimes forjados, prática tão comum por aqui, mais ainda com a política de Cabral.

Pensei nos meninos da Escola Friedenreich. Alguém há de me lembrar que ela é municipal. Não esqueci. Mas está saindo para que o governador melhor sirva seus amigos que ganharam o Maracanã. Tal qual o poeta, pensei nos longos dias sem abrigo nem nuvens daqueles meninos. Alunos de uma escola de excelência, forjaram ouro no meio do nada. Imaginem o trauma desses meninos quando souberam que iam sair dali. Cabral pensou neles?

Pensei de novo nos versos citados do poeta, dos dias sem abrigo nem nuvens (que imagem!) das vítimas das remoções criminosas de todos aqueles que estão no caminho dos "grandes eventos". Quão longos e traumáticos devem ser os dias dos meninos que tem um "X" desenhado na porta da casa humilde indicando que ela será posta abaixo. Cabral pensou neles? Alguém novamente lembrará que muitas dessas remoções são municipais. A força que dá o pé na porta é estadual. E afinal, seria ser muito idiota da objetividade achar que @sergiocabralrj e @eduardopaes_ são tão diferentes assim.

Pensei nos longos dias dos meninos que iam pelos braços dos pais na geral do Maracanã. Viam o jogo na carcunda dos pais, naquele ritual que todo homem sonha, o rito da passagem. Agora exclusivo dos que podem pagar o setor vip. Do Maracanã ferida que não fecha, como definiu tão bem Pedro Motta Gueiros. Destruído por Cabral rasgando a lei. Destruído com aval do IPHAN na calada da noite, como agem aqueles que não são transparentes. Ele mesmo que agora diz não ser um ditador. Ele mesmo que publicou o decreto 44.302/2013, da CEIV, Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, que rasgava a constituição. Quem rasga a constituição é o que? O governador de tantos atos de exceção.

Por sorte, a sociedade civil e todos seus instrumentos se fizeram representar e vem forçando essa recuada do ditador que sonhou ser, acuado, patético como todo ditador acuado. Espécie de Sadam Hussein no buraco, Kadafi na manilha. Ele, Cabral, desnudo em sua patética biografia que vai se desmilinguindo. Que há poucos dias tirou os mesmos manifestantes debaixo de pauladas e gases, sem pensar nos filhos deles, na calada da noite. Agora, na fragilidade do buraco e da manilha onde os ditadores se esvaem, apela para um discurso emocional.

Mesmo pensando em nossos longos dias, não deixaremos de pensar em duas crianças. Que não pediram isso. Oxalá possam lá na frente superar o trauma do pai ter deixado tal obra. Realmente elas nada tem a ver com tudo isso. Não precisam ver que na esquina do pai deles falam um monte de verdades sobre ele. Ainda bem que tem a opção nesses dias de sair dali. Ir por um tempo para o Palácio das Laranjeiras. Ou quem sabe para a Mansão de Guaratiba. Talvez não dê mais para ir de helicóptero, abateram o governador-voador, o do reino do guardanapo, em plena farra aérea. Mas ainda dá para passar uma temporada longe dos protestos na mansão comprada com o suor do trabalho do pai deles. Desejo isso do fundo do coração. Crianças não tem mesmo que passar por isso.

Lamento apenas que os filhos do Amarildo não tenham palácios ou mansões pra onde correr. Lamento apenas que os filhos da Maré não tenham para onde correr. Lamento apenas que os meninos que iam na carcunda do pai na geral do Maracanã não tenham para onde correr. Lamento apenas que os filhos dos removidos não tenham para onde correr. E então, "quando penso que vão me dar pena, aperto bem os dentes e fecho bem os olhos". Pela certeza de que os acampamentos seguirão. Até que se preste conta de tudo. E para que se saiba que foi longe demais na farra.



Ps- se botar um pouquinho a cabeça para fora do buraco ou da manilha, o governador vai ver que as pessoas passam pelos acampados buzinando, abrindo a janela dos carros, gritando palavras de força. Para aqueles acampados pacificamente, vale dizer. E que os vizinhos, que poderiam estar incomodados, levam refeições, agasalhos. Pelo menos se pouparia de perder tanto tempo pensando em teorias da conspiração, manipuladores. É apenas a conta de tanto desmando que chegou. É aquela turma da "pele proibida" que veio cobrar a conta.

Lúcio de Castro
Lúcio é carioca, formado em História e Jornalismo, e hoje trabalha como repórter da ESPN Brasil e comentarista do Bate-Bola 1ª edição (postado em 30/07/2013 02h50)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Comentários da reportagem Yahoo Brasil, "O que os manifestantes querem"

Fico feliz quando a maioria das pessoas que protestavam no Brasil lutavam por aspectos sociais (fim da corrupção e melhor gestão dos recursos para que sejam investidos nas áreas infraestruturais, tipo saúde e educação).
Fato é que agora precisamos entender este momento, e partir para a organização coletiva e fazer alguma coisa de positivo para a nossa cidade, pro nosso Estado e para o nosso país!
Hoje, por exemplo, a galera em Barra de S.João poderia comparecer a reunião da Câmara Municipal, para lutar pelas melhorias necessárias principalmente em nosso distrito.
Hoje, eu luto por uma educação de qualidade em Casimiro de Abreu, e isso é mais que necessário para o futuro dos nossos jovens estudantes.

Abraços!!
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http://br.educacao.yahoo.net/conteudo.aspx?titulo=O+que+os+manifestantes+querem

O que os manifestantes querem
Por Paulo Milet - Wiliam Kerniski | Eschola.com - Leadpix – 25/06/2013 18:14:00

Nos recentes movimentos ocorridos nas últimas semanas, uma pergunta era recorrente: Afinal, o que os manifestantes querem?

No inicio a resposta era simples, eles querem cancelar o aumento nos preços das passagens de ônibus, mas, com a forte repressão ocorrida em São Paulo, outra motivação começou a aparecer – “Contra a violência e a repressão! Pela liberdade de manifestação!”

Mais alguns dias, a motivação se ampliou e os motivos foram aumentando. “Contra tudo que está aí!” – “Contra a PEC 37” – “Contra a corrupção” – “Por mais recursos para a educação e Saúde” -  “Contra os políticos e os partidos” – “Contra o governo” – “Contra a impunidade” – “Punição dos Mensaleiros”, e por aí vai.

Para tentar entender melhor o que estava acontecendo, a empresa Leadpix, por meio do seu braço de pesquisas online - Leadpix Survey,  foi a campo e realizou pesquisa com mais de 5 mil pessoas espalhadas no Brasil e obteve os seguintes resultados para a principal motivação de cada um durante o período de 20 a 25 de maio (apenas uma resposta era aceita):

- Sensação de impunidade, injustiça, corrupção = 34,66%;
- Falta de Investimentos em Educação, Saúde, Segurança e Infraestrutura = 20,46%;
- A Política em geral = 12,80%;
- A PEC 37 = 7,17%;
- O Excesso de impostos = 10,23%;
- A falta de transparência no uso do dinheiro público = 5,34%;
- Gastos excessivos com os eventos esportivos = 5,37%;
- O aumento do preço das passagens de ônibus = 1,74%;
- A repressão e violência policial = 1,95%.
- Não tenho opinião: 0,28%

Os resultados falam por si, considerando inexpressiva a participação dos respondentes que não tem uma opinião ou principal motivo. O aumento do preço das passagens e a repressão e violência policial são aqueles que inicialmente seriam (e eram) a principal motivação apontada. Definitivamente não é pelos 20 centavos! Mesmo a PEC 37 (Que até já foi rejeitada pelo Congresso como resultado das manifestações), os Impostos, a Copa e a falta de transparência ficaram com baixos percentuais.

O destaque efetivamente ficou com a “sensação de impunidade, injustiça e corrupção”, secundada pela “falta de investimentos em áreas críticas” e pela “política em geral”. Esses três itens somaram mais de 67% das respostas.

Conclusão: As motivações são várias, mas tem em comum uma falta de objetividade e algumas sensações difusas de “desconforto”. Isso não diminui a importância dos movimentos, antes pelo contrário, quanto mais difusas essas impressões, mais difíceis de serem satisfeitas. O governo, os políticos, os partidos, a imprensa, os estudiosos e analistas tem uma missão e um dever de casa. Traduzir essas sensações de desconforto em ideias, projetos, programas e decisões e coloca-las na mesa para que essa população possa escolher seus caminhos.

Um fato que não pode deixar de ser levado em consideração é a forma como toda essa mobilização se deu. Grande parte através das redes sociais e repercutindo em diversos   sites e blogs da Internet. O que já estava ocorrendo nos mercado de trabalho e educação, chegou ao campo político e, da mesma forma que a sociedade está absorvendo as tecnologias de informação e comunicação (TICs) no seu dia-a-dia, chegou a hora dos governos, políticos e partidos repensarem sua atuação considerando esse fato novo.

Ainda nessa mesma toada, deve ser pensado como as TICs podem ajudar na melhoria das condições de prestação de serviços em educação, saúde e segurança, e também e principalmente na transparência completa de todas as informações que demonstrem como os recursos disponibilizados pela sociedade para os governos estão sendo gastos.

Que esse movimento possa representar um salto na qualidade das informações, ações  e conhecimento trocado entre a população e seus governantes e representantes (isso é Política e Educação com letras maiúsculas!). Aliás, o uso indevido e distorcido destes três pontos pode trazer danos irreparáveis para o futuro da sociedade e para o melhor proveito do regime democrático adotado pelos brasileiros.

Wiliam Kerniski – Diretor Executivo da LeadPix
Paulo Milet – Diretor Geral da Eschola.com e Gestor do canal Educação do Yahoo!